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FDA aprova terapia com células-tronco do cordão umbilical para tratar anemia aplástica grave

há 19 horas
7 min de leitura

A aprovação do Omisirge nos Estados Unidos representa um avanço na medicina regenerativa e amplia as possibilidades de transplante de células-tronco hematopoéticas para pacientes com anemia aplástica grave.

A medicina celular vem avançando na busca por tratamentos para doenças graves, e as células-tronco estão no centro de diversas pesquisas e inovações terapêuticas. Em dezembro de 2025, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o Omisirge (omidubicel-onlv) para o tratamento de pacientes com anemia aplástica grave, uma doença rara que compromete a produção de células sanguíneas pela medula óssea.

A aprovação representa um marco para a área de transplantes de células-tronco hematopoéticas, especialmente para pacientes que não dispõem de um doador compatível. A terapia utiliza células-tronco provenientes do sangue do cordão umbilical, modificadas por meio de um processo que busca favorecer a recuperação hematológica após o transplante.

A decisão reforça o potencial das terapias celulares no desenvolvimento de novas alternativas para doenças que apresentam desafios importantes para a medicina.




O que é a anemia aplástica grave?

A anemia aplástica grave é uma doença hematológica rara e potencialmente fatal, caracterizada pela incapacidade da medula óssea de produzir quantidades suficientes de células sanguíneas

Infográfico sobre os efeitos da anemia aplástica grave, mostrando como a redução de hemácias pode causar anemia e cansaço, a diminuição de leucócitos aumenta o risco de infecções e a redução de plaquetas favorece sangramentos.

Quando a produção dessas células é comprometida, o paciente pode apresentar anemia, cansaço intenso, maior suscetibilidade a infecções e risco aumentado de sangramentos.


Infográfico sobre a anemia aplástica grave, explicando como a medula óssea produz hemácias, responsáveis pelo transporte de oxigênio, leucócitos, que atuam na defesa do organismo, e plaquetas, que auxiliam na coagulação sanguínea. A imagem ilustra como a redução dessas células pode causar anemia, aumentar o risco de infecções e favorecer sangramentos.


O tratamento depende de fatores como idade, gravidade da doença, condições clínicas e disponibilidade de um doador compatível. Entre as possibilidades terapêuticas estão os tratamentos imunossupressores e o transplante de células-tronco hematopoéticas.

Quando existe um doador adequado, o transplante pode representar uma alternativa importante. Entretanto, nem todos os pacientes encontram um doador compatível, o que torna necessário ampliar as fontes de células disponíveis para esses procedimentos.


O período ideal para a realização do Teste do Pezinho é entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê.

Essa janela é considerada a mais adequada para garantir resultados confiáveis e possibilitar um diagnóstico precoce. Em situações especiais, como prematuridade, baixo peso ao nascer ou internação prolongada, o acompanhamento médico orientará o momento mais apropriado para a coleta.



O que é o Omisirge e como funciona?

O Omisirge é uma terapia celular desenvolvida a partir de células-tronco hematopoéticas obtidas do sangue do cordão umbilical de um doador.

Seu diferencial está no processamento dessas células com nicotinamida, uma forma de vitamina B3. Essa modificação busca melhorar o desempenho das células após o transplante, favorecendo o estabelecimento do enxerto e a recuperação das células sanguíneas do paciente. Essa modificação faz com que as células se multipliquem de forma mais eficiente antes de serem infundidas no paciente. Favorecendo o estabelecimento do enxerto e a recuperação das células sanguíneas. Com isso, os estudos mostraram recuperação mais rápida e menor incidência de infecções bacterianas e fúngicas após o transplante em comparação com aqueles do grupo de controle UCB (Sangue de Cordão Umbilical Padrão) 

Após o procedimento de preparação clínica indicado para o transplante, as células são administradas ao paciente com o objetivo de contribuir para a reconstituição do sistema hematológico e imunológico.


Ilustração de uma bolsa contendo sangue do cordão umbilical, coletado para uso em procedimentos de preservação e possíveis aplicações terapêuticas com células-tronco hematopoéticas.

Após o nascimento, o sangue do cordão umbilical é coletado de um doador, rico em células-tronco hematopóticas. 


Ilustração da etapa de processamento do sangue do cordão umbilical com nicotinamida (vitamina B3), mostrando a aplicação da substância em uma amostra celular durante o preparo de uma terapia celular.

As células são submetidas a um processo de modificação com nicotinamida, uma forma de vitamina B3, que melhora o desempenho celular.


Ilustração da preparação de um produto celular derivado do sangue do cordão umbilical, mostrando células sanguíneas em um recipiente de laboratório e uma ampliação ilustrativa das estruturas celulares.

Após o processamento,as células são cuidadosamente preparadas e passam por rigorosos controles de qualidade para se tornarem o produto celular Omisirge.


Ilustração da etapa de infusão de um produto celular no paciente, por meio de acesso intravenoso, como parte de um procedimento de terapia celular com células-tronco hematopoéticas.

O produto celular é infundido no paciente após o condicionamento clínico, com o objetivo de contribuir para a reconstituição das células sanguíneas e do sistema imunológico.

A terapia foi desenvolvida para ajudar a superar algumas limitações tradicionalmente associadas ao transplante de sangue de cordão umbilical, como o tempo prolongado para a recuperação hematológica e o risco de infecções durante o período de recuperação.

É importante destacar que o Omisirge não corresponde simplesmente à infusão de sangue do cordão umbilical sem processamento. Trata-se de um produto celular específico, submetido a procedimentos de preparação e controle para uma indicação clínica definida.

O que a FDA aprovou exatamente? Em 8 de dezembro de 2025, a FDA anunciou a aprovação do Omisirge para o tratamento de adultos e crianças a partir dos seis anos de idade com anemia aplástica grave, após condicionamento de intensidade reduzida, quando não há disponibilidade de um doador compatível.

A terapia já possuía aprovação nos Estados Unidos para determinadas indicações relacionadas a doenças hematológicas malignas. A nova decisão ampliou suas indicações terapêuticas.

A aprovação foi concedida à empresa Gamida Cell Ltd. e considerou os resultados de um estudo clínico que avaliou a segurança e a eficácia do produto em pacientes com anemia aplástica grave.

A decisão também recebeu destaque por ampliar as opções para pacientes que necessitam de transplante de células-tronco hematopoéticas, mas enfrentam dificuldades para encontrar um doador adequado.


Importante: a aprovação pela FDA é válida no contexto regulatório dos Estados Unidos. Ela não significa, por si só, que o produto esteja automaticamente autorizado para uso no Brasil, onde devem ser observadas as normas e aprovações sanitárias aplicáveis.

Quais foram os resultados do estudo clínico? Segundo os dados divulgados pela FDA, a avaliação da terapia foi baseada em um estudo prospectivo, aberto e de braço único, que incluiu pacientes com seis anos ou mais diagnosticados com anemia aplástica grave.


Infográfico com os principais resultados do estudo clínico do Omisirge para anemia aplástica grave: 12 de 14 pacientes apresentaram recuperação precoce e sustentada do enxerto, com tempo mediano de 11 dias para a recuperação dos neutrófilos. Fonte: FDA.

Os neutrófilos são um tipo de glóbulo branco fundamental para a defesa do organismo, especialmente contra infecções bacterianas e fúngicas. Após um transplante, a recuperação dessas células representa um indicador importante da retomada da função hematológica.


A pega do enxerto ocorre quando as células transplantadas se estabelecem e começam a contribuir para a produção de células sanguíneas. Por isso, o tempo necessário para essa recuperação é um dos aspectos acompanhados pelas equipes médicas durante o tratamento.


Os resultados observados com o Omisirge indicam a possibilidade de recuperação dos neutrófilos em um período relativamente curto para os pacientes avaliados. No entanto, o tamanho reduzido da população analisada e as características do estudo precisam ser considerados na interpretação dos dados.


Os resultados de um estudo clínico não garantem que todos os pacientes terão a mesma resposta ao tratamento.



Qual é a relação entre essa terapia e as células-tronco do cordão umbilical?

O sangue do cordão umbilical é uma fonte de células-tronco hematopoéticas, capazes de dar origem a diferentes tipos de células sanguíneas. Essas células são utilizadas em transplantes para determinadas doenças hematológicas e outras condições clínicas específicas.

A aprovação do Omisirge demonstra como as células provenientes dessa fonte podem ser submetidas a tecnologias de processamento para desenvolver produtos terapêuticos com características próprias.

Esse avanço também evidencia que o potencial das células-tronco não depende apenas de sua coleta, mas envolve pesquisa científica, seleção celular, processamento, controle de qualidade e avaliação clínica.

A possibilidade de utilização de uma amostra depende de fatores como a indicação clínica, as características celulares, a compatibilidade, os requisitos de qualidade e os protocolos aplicáveis.

O que esse avanço representa para o futuro das terapias celulares?


Profissionais paramentados com roupas de proteção manipulam amostras biológicas em cabines de segurança dentro de um laboratório, seguindo procedimentos controlados para o processamento de material celular.



O desenvolvimento do Omisirge faz parte de um cenário mais amplo de evolução das terapias celulares, no qual pesquisadores buscam aprimorar a forma como as células são coletadas, preparadas e utilizadas em tratamentos.

Entre as principais frentes de pesquisa e desenvolvimento estão:

1. Aprimoramento do processamento celular

Tecnologias de processamento podem modificar características das células para favorecer seu desempenho em aplicações terapêuticas específicas.

2. Ampliação das alternativas para transplantes

O desenvolvimento de novas fontes e estratégias celulares pode contribuir para ampliar as opções disponíveis para pacientes que não encontram doadores compatíveis.

3. Busca por uma recuperação hematológica mais rápida

O tempo de recuperação das células sanguíneas é um fator relevante após o transplante. Por isso, estratégias que favoreçam o estabelecimento do enxerto são objeto de investigação e desenvolvimento.

4. Desenvolvimento de tratamentos para doenças complexas

O avanço das terapias celulares pode abrir novas possibilidades para condições que apresentam limitações terapêuticas importantes. Cada nova aplicação, entretanto, exige estudos específicos para comprovar sua segurança e eficácia.

Essas frentes mostram como a medicina celular está evoluindo por meio da integração entre pesquisa, tecnologia e prática clínica.


Preservar células-tronco do cordão umbilical: o que as famílias precisam saber? A coleta e o armazenamento de células-tronco do sangue do cordão umbilical podem ser planejados durante a gestação.

Essas células possuem aplicações clínicas estabelecidas, principalmente em transplantes hematopoéticos para determinadas doenças, além de serem objeto de pesquisas científicas para outras possíveis utilizações.


Entretanto, a preservação não representa garantia de que a amostra será utilizada no futuro ou de que poderá tratar qualquer doença.


A indicação depende de uma avaliação médica, das características da amostra, da compatibilidade e das evidências científicas disponíveis para cada aplicação.


Também é importante compreender a diferença entre tratamentos já estabelecidos, terapias aprovadas para indicações específicas e possibilidades que ainda estão em investigação.


No caso da anemia aplástica grave, a aprovação do Omisirge representa um avanço concreto para uma indicação clínica definida nos Estados Unidos, revolucionando o uso das células do sangue do cordão umbilical e ampliando significativamente as possibilidades terapêuticas para esses pacientes.


Para as famílias que consideram a preservação, buscar informações confiáveis, conhecer os procedimentos envolvidos e compreender as limitações atuais da ciência são etapas essenciais para uma decisão consciente.

CellPreserve: ciência, informação e cuidado com o futuro Na CellPreserve, acreditamos que o acesso à informação científica de qualidade é fundamental para que as famílias compreendam as possibilidades e os limites das tecnologias relacionadas às células-tronco.

Avanços como a aprovação do Omisirge mostram que a pesquisa científica continua desenvolvendo novas estratégias para utilizar células-tronco em contextos clínicos específicos.

Acompanhar essas descobertas permite compreender melhor a evolução da medicina e a importância de investir em pesquisa, tecnologia e qualidade nos processos de coleta e preservação celular.

Quer saber mais sobre a preservação de células-tronco do cordão umbilical?  Entre em contato com a equipe da CellPreserve e conheça os procedimentos, as possibilidades atuais de utilização e os cuidados envolvidos nesse processo.



Referências científicas

  1. U.S. Food and Drug Administration (FDA). FDA Approves First Cellular Therapy to Treat Patients with Severe Aplastic Anemia. Publicado em 8 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.fda.gov/news-events/press-announcements/fda-approves-first-cellular-therapy-treat-patients-severe-aplastic-anemia

  2. Gamida Cell. FDA approves Omisirge® as First Approved Cell Therapy to Treat Severe Aplastic Anemia. Disponível em: https://www.gamida-cell.com/press_release/fda-approves-omisirge-as-first-approved-cell-therapy-to-treat-severe-aplastic-anemia/

Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica individualizada.


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