FDA aprova terapia com células-tronco do cordão umbilical para tratar anemia aplástica grave
A aprovação do Omisirge nos Estados Unidos representa um avanço na medicina regenerativa e amplia as possibilidades de transplante de células-tronco hematopoéticas para pacientes com anemia aplástica grave.
A medicina celular vem avançando na busca por tratamentos para doenças graves, e as células-tronco estão no centro de diversas pesquisas e inovações terapêuticas. Em dezembro de 2025, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o Omisirge (omidubicel-onlv) para o tratamento de pacientes com anemia aplástica grave, uma doença rara que compromete a produção de células sanguíneas pela medula óssea.
A aprovação representa um marco para a área de transplantes de células-tronco hematopoéticas, especialmente para pacientes que não dispõem de um doador compatível. A terapia utiliza células-tronco provenientes do sangue do cordão umbilical, modificadas por meio de um processo que busca favorecer a recuperação hematológica após o transplante.
A decisão reforça o potencial das terapias celulares no desenvolvimento de novas alternativas para doenças que apresentam desafios importantes para a medicina.
O que é a anemia aplástica grave?
A anemia aplástica grave é uma doença hematológica rara e potencialmente fatal, caracterizada pela incapacidade da medula óssea de produzir quantidades suficientes de células sanguíneas
Quando a produção dessas células é comprometida, o paciente pode apresentar anemia, cansaço intenso, maior suscetibilidade a infecções e risco aumentado de sangramentos.

O tratamento depende de fatores como idade, gravidade da doença, condições clínicas e disponibilidade de um doador compatível. Entre as possibilidades terapêuticas estão os tratamentos imunossupressores e o transplante de células-tronco hematopoéticas.
Quando existe um doador adequado, o transplante pode representar uma alternativa importante. Entretanto, nem todos os pacientes encontram um doador compatível, o que torna necessário ampliar as fontes de células disponíveis para esses procedimentos.
O período ideal para a realização do Teste do Pezinho é entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê.
Essa janela é considerada a mais adequada para garantir resultados confiáveis e possibilitar um diagnóstico precoce. Em situações especiais, como prematuridade, baixo peso ao nascer ou internação prolongada, o acompanhamento médico orientará o momento mais apropriado para a coleta.
O que é o Omisirge e como funciona?
O Omisirge é uma terapia celular desenvolvida a partir de células-tronco hematopoéticas obtidas do sangue do cordão umbilical de um doador.
Seu diferencial está no processamento dessas células com nicotinamida, uma forma de vitamina B3. Essa modificação busca melhorar o desempenho das células após o transplante, favorecendo o estabelecimento do enxerto e a recuperação das células sanguíneas do paciente. Essa modificação faz com que as células se multipliquem de forma mais eficiente antes de serem infundidas no paciente. Favorecendo o estabelecimento do enxerto e a recuperação das células sanguíneas. Com isso, os estudos mostraram recuperação mais rápida e menor incidência de infecções bacterianas e fúngicas após o transplante em comparação com aqueles do grupo de controle UCB (Sangue de Cordão Umbilical Padrão)
Após o procedimento de preparação clínica indicado para o transplante, as células são administradas ao paciente com o objetivo de contribuir para a reconstituição do sistema hematológico e imunológico.

Após o nascimento, o sangue do cordão umbilical é coletado de um doador, rico em células-tronco hematopóticas.

As células são submetidas a um processo de modificação com nicotinamida, uma forma de vitamina B3, que melhora o desempenho celular.

Após o processamento,as células são cuidadosamente preparadas e passam por rigorosos controles de qualidade para se tornarem o produto celular Omisirge.

O produto celular é infundido no paciente após o condicionamento clínico, com o objetivo de contribuir para a reconstituição das células sanguíneas e do sistema imunológico.
A terapia foi desenvolvida para ajudar a superar algumas limitações tradicionalmente associadas ao transplante de sangue de cordão umbilical, como o tempo prolongado para a recuperação hematológica e o risco de infecções durante o período de recuperação.
É importante destacar que o Omisirge não corresponde simplesmente à infusão de sangue do cordão umbilical sem processamento. Trata-se de um produto celular específico, submetido a procedimentos de preparação e controle para uma indicação clínica definida.
O que a FDA aprovou exatamente? Em 8 de dezembro de 2025, a FDA anunciou a aprovação do Omisirge para o tratamento de adultos e crianças a partir dos seis anos de idade com anemia aplástica grave, após condicionamento de intensidade reduzida, quando não há disponibilidade de um doador compatível.
A terapia já possuía aprovação nos Estados Unidos para determinadas indicações relacionadas a doenças hematológicas malignas. A nova decisão ampliou suas indicações terapêuticas.
A aprovação foi concedida à empresa Gamida Cell Ltd. e considerou os resultados de um estudo clínico que avaliou a segurança e a eficácia do produto em pacientes com anemia aplástica grave.
A decisão também recebeu destaque por ampliar as opções para pacientes que necessitam de transplante de células-tronco hematopoéticas, mas enfrentam dificuldades para encontrar um doador adequado.
Importante: a aprovação pela FDA é válida no contexto regulatório dos Estados Unidos. Ela não significa, por si só, que o produto esteja automaticamente autorizado para uso no Brasil, onde devem ser observadas as normas e aprovações sanitárias aplicáveis.
Quais foram os resultados do estudo clínico? Segundo os dados divulgados pela FDA, a avaliação da terapia foi baseada em um estudo prospectivo, aberto e de braço único, que incluiu pacientes com seis anos ou mais diagnosticados com anemia aplástica grave.

Os neutrófilos são um tipo de glóbulo branco fundamental para a defesa do organismo, especialmente contra infecções bacterianas e fúngicas. Após um transplante, a recuperação dessas células representa um indicador importante da retomada da função hematológica.
A pega do enxerto ocorre quando as células transplantadas se estabelecem e começam a contribuir para a produção de células sanguíneas. Por isso, o tempo necessário para essa recuperação é um dos aspectos acompanhados pelas equipes médicas durante o tratamento.
Os resultados observados com o Omisirge indicam a possibilidade de recuperação dos neutrófilos em um período relativamente curto para os pacientes avaliados. No entanto, o tamanho reduzido da população analisada e as características do estudo precisam ser considerados na interpretação dos dados.
Os resultados de um estudo clínico não garantem que todos os pacientes terão a mesma resposta ao tratamento.
Qual é a relação entre essa terapia e as células-tronco do cordão umbilical?
O sangue do cordão umbilical é uma fonte de células-tronco hematopoéticas, capazes de dar origem a diferentes tipos de células sanguíneas. Essas células são utilizadas em transplantes para determinadas doenças hematológicas e outras condições clínicas específicas.
A aprovação do Omisirge demonstra como as células provenientes dessa fonte podem ser submetidas a tecnologias de processamento para desenvolver produtos terapêuticos com características próprias.
Esse avanço também evidencia que o potencial das células-tronco não depende apenas de sua coleta, mas envolve pesquisa científica, seleção celular, processamento, controle de qualidade e avaliação clínica.
A possibilidade de utilização de uma amostra depende de fatores como a indicação clínica, as características celulares, a compatibilidade, os requisitos de qualidade e os protocolos aplicáveis.
O que esse avanço representa para o futuro das terapias celulares?

O desenvolvimento do Omisirge faz parte de um cenário mais amplo de evolução das terapias celulares, no qual pesquisadores buscam aprimorar a forma como as células são coletadas, preparadas e utilizadas em tratamentos.
Entre as principais frentes de pesquisa e desenvolvimento estão:
1. Aprimoramento do processamento celular
Tecnologias de processamento podem modificar características das células para favorecer seu desempenho em aplicações terapêuticas específicas.
2. Ampliação das alternativas para transplantes
O desenvolvimento de novas fontes e estratégias celulares pode contribuir para ampliar as opções disponíveis para pacientes que não encontram doadores compatíveis.
3. Busca por uma recuperação hematológica mais rápida
O tempo de recuperação das células sanguíneas é um fator relevante após o transplante. Por isso, estratégias que favoreçam o estabelecimento do enxerto são objeto de investigação e desenvolvimento.
4. Desenvolvimento de tratamentos para doenças complexas
O avanço das terapias celulares pode abrir novas possibilidades para condições que apresentam limitações terapêuticas importantes. Cada nova aplicação, entretanto, exige estudos específicos para comprovar sua segurança e eficácia.
Essas frentes mostram como a medicina celular está evoluindo por meio da integração entre pesquisa, tecnologia e prática clínica.
Preservar células-tronco do cordão umbilical: o que as famílias precisam saber? A coleta e o armazenamento de células-tronco do sangue do cordão umbilical podem ser planejados durante a gestação.
Essas células possuem aplicações clínicas estabelecidas, principalmente em transplantes hematopoéticos para determinadas doenças, além de serem objeto de pesquisas científicas para outras possíveis utilizações.
Entretanto, a preservação não representa garantia de que a amostra será utilizada no futuro ou de que poderá tratar qualquer doença.
A indicação depende de uma avaliação médica, das características da amostra, da compatibilidade e das evidências científicas disponíveis para cada aplicação.
Também é importante compreender a diferença entre tratamentos já estabelecidos, terapias aprovadas para indicações específicas e possibilidades que ainda estão em investigação.
No caso da anemia aplástica grave, a aprovação do Omisirge representa um avanço concreto para uma indicação clínica definida nos Estados Unidos, revolucionando o uso das células do sangue do cordão umbilical e ampliando significativamente as possibilidades terapêuticas para esses pacientes.
Para as famílias que consideram a preservação, buscar informações confiáveis, conhecer os procedimentos envolvidos e compreender as limitações atuais da ciência são etapas essenciais para uma decisão consciente.
CellPreserve: ciência, informação e cuidado com o futuro Na CellPreserve, acreditamos que o acesso à informação científica de qualidade é fundamental para que as famílias compreendam as possibilidades e os limites das tecnologias relacionadas às células-tronco.
Avanços como a aprovação do Omisirge mostram que a pesquisa científica continua desenvolvendo novas estratégias para utilizar células-tronco em contextos clínicos específicos.
Acompanhar essas descobertas permite compreender melhor a evolução da medicina e a importância de investir em pesquisa, tecnologia e qualidade nos processos de coleta e preservação celular.
Quer saber mais sobre a preservação de células-tronco do cordão umbilical? Entre em contato com a equipe da CellPreserve e conheça os procedimentos, as possibilidades atuais de utilização e os cuidados envolvidos nesse processo.
Referências científicas
U.S. Food and Drug Administration (FDA). FDA Approves First Cellular Therapy to Treat Patients with Severe Aplastic Anemia. Publicado em 8 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.fda.gov/news-events/press-announcements/fda-approves-first-cellular-therapy-treat-patients-severe-aplastic-anemia
Gamida Cell. FDA approves Omisirge® as First Approved Cell Therapy to Treat Severe Aplastic Anemia. Disponível em: https://www.gamida-cell.com/press_release/fda-approves-omisirge-as-first-approved-cell-therapy-to-treat-severe-aplastic-anemia/
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica individualizada.







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