Puerpério: como a maternidade pode afetar a saúde mental
- Vanessa Aquino
- 30 de set. de 2025
- 3 min de leitura
O puerpério é uma fase intensa, cheia de mudanças — físicas, emocionais, sociais — que exige adaptação, paciência e cuidado. Neste período delicado, a saúde mental da mãe merece atenção especial. Aqui, vamos entender quais são os desafios mais comuns, como reconhecê-los, e o que ajuda no processo de cuidado e recuperação.

O que é o puerpério?
O termo puerpério designa o tempo que se inicia com o nascimento do bebê e vai até aproximadamente o 45º dia após o parto.
É um período de mudanças em que o corpo da mulher passa por transformações naturais — como a volta do útero ao tamanho normal, a eliminação de secreções após o parto e outras adaptações do organismo. Além disso, a rotina passa por ajustes drásticos: cuidados com o recém-nascido, amamentação, sono interrompido e novas responsabilidades. Todas essas mudanças podem afetar diretamente o bem-estar emocional.
Principais transtornos e sintomas
Nem todos os dias do puerpério são iguais. Muitas mulheres experimentam emoções diversas ao mesmo tempo. Alguns transtornos são mais comuns:
Baby blues (tristeza puerperal): aparece entre o segundo e o quinto dia após o parto. É marcado por flutuações de humor, choro fácil, sensação de inadequação, e de vulnerabilidade emocional. Estima-se que acometa cerca de 50 a 80% das mulheres.
Depressão pós-parto: mais severa e duradoura que o baby blues, interfere nas atividades diárias, no cuidado com o bebê, no vínculo mãe-filho. Os sintomas podem incluir tristeza persistente, perda de interesse, culpa, alterações no sono e apetite, pensamentos recorrentes de inadequação ou até mesmo ideação suicida. Afeta aproximadamente 10 a 20% das mulheres no pós-parto.
Psicose puerperal: embora rara, é gravíssima. Pode incluir delírios, alucinações, confusão mental, perda de contato com a realidade — um transtorno que requer intervenção médica urgente.
Outros transtornos podem surgir ou se agravar no pós-parto incluem ansiedade materna, estresse pós-traumático e exaustão emocional.
Fatores de risco
Nem todas as mães vão desenvolver um transtorno mental no puerpério, mas há fatores que elevam a probabilidade:
Histórico psiquiátrico pessoal ou familiar.
Gravidez não planejada.
Dificuldades no aleitamento materno, choro constante do bebê, cansaço físico e mental intensos.
Pressão social e cultural de “ser a mãe perfeita”, expectativas exageradas do pós-parto ideal.
Falta de rede de apoio, isolamento, ausência de suporte emocional e prático
Impactos potenciais
Quando não cuidadas, as questões de saúde mental no puerpério trazem implicações sérias:
Afetam o vínculo mãe-bebê, podendo gerar inseguranças no cuidado infantil.
Interferem no dia a dia da mãe: atividades básicas, autocuidado, sono, alimentação.
Podem gerar consequências para o desenvolvimento emocional da criança, além de prejudicar o bem-estar da família como um todo.
Em casos extremos (psicose puerperal ou depressão profunda), riscos de ideação suicida.
Cuidados e recomendações práticas
Para mães, familiares, parceiros e profissionais, algumas atitudes práticas fazem diferença:
Avaliação e acompanhamento psicológico — buscar ajuda profissional ao notar sintomas persistentes ou intensos; não esperar “passar sozinho”.
Comunicação aberta — poder expressar sentimentos sem julgamentos, compartilhar receios, inseguranças.
Autocuidado — reservar momentos para descanso, higiene do sono, alimentação adequada; permitir-se falhar, permitir-se errar.
Ajustar expectativas — desconstruir o mito da mãe perfeita, permitir imperfeições, entender que cada gestação e cada puerpério são únicos.
Fortalecer a rede de apoio — solicitar ajuda de pessoas próximas, procurar grupos de mães; contar com profissionais de saúde (psicólogos, psiquiatras, enfermagem) quando necessário.
Monitorar sinais de alerta — tristeza persistente, desânimo, desinteresse pelo bebê, distúrbios do sono que se estendem, pensamentos negativos frequentes.
Conclusão
A maternidade é uma jornada de transformações profundas. O puerpério, em especial, impõe desafios extremos à saúde mental materna — mas identificar, acolher e tratar os transtornos puerperais pode transformar esse período de vulnerabilidade em momento de fortalecimento. Com rede de apoio, atenção profissional, cuidado consigo mesma e empatia ao redor, é possível atravessar esse momento com mais serenidade e construir laços saudáveis entre mãe, bebê e família.
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