Café da manhã: pular a primeira refeição traz problemas na escola

June 19, 2017

A pesquisa Hunger in the Classroom (Fome na sala de aula, em tradução livre), realizada na Austrália pela Foodbanker, uma organização de ajuda alimentar, constatou que um grande número de crianças por lá vai para a escola com fome e analisou como isso influencia no desempenho escolar.

Por meio de um levantamento feito com 500 professores de escolas primárias e secundárias de áreas metropolitanas e rurais, pesquisadores chegaram a resultados preocupantes. Dois terços dos professores (67%) relataram que as crianças vão à escola com fome, sem tomar café da manhã e sem comer nada.

O impacto que a fome tem no aprendizado e no comportamento das crianças também foi avaliado durante o levantamento; 82% dos professores afirmam que o trabalho aumenta quando há crianças de barriga vazia dentro da sala de aula. Eles relataram que os alunos encontram mais dificuldades para se concentrar, ficam mais sonolentos, têm mais dificuldades de aprendizado e também apresentam problemas de comportamento.

Isso acontece porque, quando o organismo fica muito tempo sem receber alimentos, é como se entrasse em um modo de economia de energia. “O jejum prolongado vai dificultar a passagem do impulso nervoso, que precisa de energia para ser transmitido. Tudo no corpo desacelera: parte motora, do raciocínio”, explica a pediatra Cylmara Gargalak Aziz Silveira

Longos períodos em jejum também podem provocar hipoglicemia, que é a baixa concentração de glicose no sangue, comum em diabéticos. A criança fica molinha, com a visão turva, mãos suadas, tremedeira e bem pálida. Com meio copo de suco o problema pode se resolver.

“Os pais têm que insistir para que o filho coma pelo menos uma fruta ou tome um leite para quebrar o jejum”, ensina a nutricionista clínica Juliana Miguel Pereira.

Só que, enquanto algumas crianças não comem de manhã porque não têm o hábito, outras realmente não conseguem. Ficam enjoadas, nada cai bem, nem um copo de leite desce. Só depois de três ou quatro horas é que a fome aparece. Nesse caso, o melhor a fazer é tentar encontrar alguma coisa que a apeteça: um suco, uma bolacha, um pedaço de queijo. Se não descer de jeito nenhum, não insista: cada criança tem o seu ritmo. Mande um lanche reforçado, com um suco ou um iogurte para seu filho comer a caminho da escola se tiver vontade.

Se a falta de apetite ao acordar se arrastar ao longo do dia, fique atento.  “Às vezes, a criança não come por uma doença física ou um problema psicológico. Pode ser intestino preso, gastrite ou até problemas na escola”, ressalta Cylmara. 

Um café da manhã saudável deve  ter  uma fonte de proteína (leite e derivados), uma porção de carboidrato (pães e cereais) e uma fruta. “O ideal é que os pais não incluam açúcar.  Os carboidratos quando metabolizados já fornecem açúcares, assim como a fruta”, recomenda a nutricionista.

 

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