Riscos de fumar na gravidez

May 31, 2019

Mulheres que mantém o vício de fumar nos primeiros três meses de gravidez correm o risco de sofrer aborto natural, sangramentos, descolamento de placenta e parto prematuro, além do risco de problemas de saúde congênitos para o bebê. Quando ainda está na barriga, o feto absorve tudo que está no sangue da mãe. A mamãe fumante, além de oxigênio no sangue, também tem monóxido de carbono, que é liberado pela fumaça do cigarro. Ou seja, o bebê “fuma” junto com a mãe. Além disso, a nicotina, outra substância presente no cigarro, estreita os vasos sanguíneos fazendo com que chegue menos nutrientes e oxigênio para o feto, o que pode causar graves problemas de desenvolvimento. “São muitos os danos que o consumo do cigarro pode gerar. Há grandes chances de o bebê nascer prematuro e com peso abaixo do normal, entre outros males. Por isso, as mães precisam ser cautelosas com a saúde dos filhos”, afirma a ginecologista Flávia Fairbanks.

 

O risco de trombose e a dificuldade para largar o cigarro

Além dos males que o cigarro traz para o feto, a saúde da mamãe também é prejudicada. Junto com o estreitamento dos vasos sanguíneos, a pressão natural que a gravidez causa nas veias abdominais faz com que a circulação de sangue nas pernas fique comprometida, podendo causar trombose. Se não for tratada rapidamente, a trombose pode se complicar e acarretar problemas mais sérios como embolia pulmonar e trombose na placenta. “O que agrava a situação, no caso das gestantes, é que elas não estarão prejudicando apenas o próprio organismo, mas também o de um bebê que, ao nascer, já poderá apresentar diversos problemas por conta do costume nocivo da mãe”, declara a Dra. Flávia. Além disso, trata-se de um momento de menor imunidade do organismo, pois ele precisa abrigar um 'corpo estranho' dentro de si. Isso pode facilitar a incidência de hemorragias e doenças, como o câncer. A realidade é assustadora e mostra que 87% das mulheres que fumam não deixam o vício de lado quando engravidam, é o que indica uma pesquisa divulgada na revista científica inglesa Addiction, em 2015. Outro estudo reproduzido na mesma publicação mostrou que 76% das grávidas que abandonam o cigarro voltam a consumi-lo até seis meses depois da chegada do filho. O principal motivo mencionado pelas entrevistadas que retomaram o hábito foi o estresse da vida materna. Esses dados são preocupantes e apontam que, infelizmente, nem sempre a saúde dos pequenos é levada em consideração.

 

Mas e quando a mulher é fumante e descobre uma gravidez que não estava nos seus planos?

“Ela deve parar imediatamente porque não existe número mínimo de cigarros que podem ser consumidos ao longo dos nove meses. O ideal é zero”, reforça Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista e obstetra e sócio-fundador da clínica de reprodução humana Mater Prime, de São Paulo. E aquelas que estão programando ter um bebê e são adeptas do vício devem abandoná-lo pelo menos de dois a três meses antes de engravidar, mas é claro que, o quanto antes ele for eliminado, melhor. Não é recomendável parar de fumar abruptamente durante a gravidez, pois ao cessar o uso do cigarro o organismo começa a passar por um processo de desintoxicação. A nicotina acumulada nos pulmões é jogada diretamente na corrente sanguínea antes de ser eliminada, e isso prejudica bastante o feto. Sintomas de Síndrome de Abstinência Aguda na mãe também podem ser prejudiciais ao feto. Além disso, o tabagismo interfere e muito nos planos de casais que querem engravidar, afetando tanto a saúde feminina quanto a masculina. “O hábito pode alterar no homem a produção e também aumentar a fragmentação do DNA dos espermatozoides, como se eles tivessem menos energia para fertilizar os óvulos. Além, claro, do maior risco de abortamento“, esclarece o obstetra. E as mulheres que fumam também não estão ilesas, já que o hábito modifica a nutrição sanguínea do útero. “O cigarro diminui o tempo de vida reprodutiva – adiantando a menopausa em até cinco anos em relação aquelas que não fumam”, pontua o médico. Os malefícios se estendem para a lactação, afinal, as substâncias tóxicas do cigarro – que são mais de 4,7 mil – são transmitidas para o bebê por meio do leite materno. Mas as mães que não amamentam também devem ficar atentas porque a fumaça é prejudicial para os baixinhos e aumenta a incidência de problemas respiratórios. Vale lembrar que filhos de pais tabagistas também apresentam mais chances de desenvolver a dependência no futuro. “Isso porque os receptores cerebrais são modificados e a pessoa tem maior predisposição ao vício”, explica o ginecologista e obstetra da capital paulista.

 

Hoje, grande parte da população têm consciência dos efeitos negativos do fumo. Apesar disso, não é nada fácil abandonar o costume, mas o importante é buscar ajuda. “Sabemos que o cigarro tem uma dependência química que dura em torno de 2 a 3 semanas. Depois desse período, é só a dependência psicológica, que é a fase mais difícil para quem está habituado em fumar em determinadas situações porque, quando as vivencia de novo, terá vontade de retomar. Para ter esse controle, vale buscar ajuda médica e psicológica específica. Aquela pessoa que realmente quiser parar, com auxílio especializado, terá uma grande chance de sucesso”, afirma o médico. Além disso, diversas pesquisas já demonstraram que o hábito atrapalha o desenvolvimento do sistema nervoso central do feto e aumenta as chances de transtornos psicológicos.

 

Esquizofrenia

Em um trabalho publicado em 2016 na revista científica The American Journal of Psychiatry, cientistas americanos e finlandeses descobriram que tragar cigarros na gravidez aumenta o risco de esquizofrenia na criança. Para se ter uma ideia, a intensa exposição do pequeno à principal substância do cigarro eleva em 38% a tendência à esquizofrenia, de acordo com o estudo. E isso mesmo considerando outros fatores de risco para o problema, como o histórico psiquiátrico da família, a situação socioeconômica e a idade da mãe. Segundo os pesquisadores, a nicotina atravessa a placenta e cai na corrente sanguínea do feto. O principal alvo do composto é o cérebro, o que pode gerar alterações cognitivas e problemas neurológicos no curto e no longo prazo. “Nós utilizamos uma amostra nacional, com o maior número de casos de esquizofrenia já incluídos em um levantamento desse tipo”, diz Alan Brown, principal autor do estudo e professor da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. De acordo com ele, acredita-se que essa seja a maior investigação já feita sobre o tema.

 

Cáries

Além disso, a ciência já suspeita há um tempo que a exposição precoce ao cigarro também pode fazer com que cáries surjam nos dentes. Pesquisadores japoneses estudaram nada menos do que 76 920 crianças nascidas entre 2004 e 2010, e os resultados demonstraram que o contato direto com a fumaça do cigarro (fumo passivo) aos 4 meses de vida dobra o risco de meninos e meninas desenvolverem cáries aos 3 anos. Já os baixinhos que convivem com familiares que fumam no ambiente doméstico apresentam uma probabilidade 1,5 vezes maior de desenvolver o problema dental em algum momento, de acordo com a investigação. Mesmo assim, apesar dos achados curiosos, os autores da investigação alertam que esse é apenas um estudo observacional, ou seja, ainda não se pode estabelecer uma relação de causa e efeito. De qualquer forma, está aí mais um indício de que tabagismo e criança saudável não combinam.

 

Arritmia Cardíaca

Já de acordo com um estudo da Universidade da Califórnia publicado em outubro de 2015 no jornal HeartRhythm, pessoas que foram fumantes passivas durante a infância ou mesmo quando ainda estavam na barriga da mãe estão mais propensas a desenvolver fibrilação atrial – a principal causa de arritmia cardíaca no mundo. Para esse trabalho, os experts analisaram 4 976 indivíduos que participaram de um levantamento online sobre a saúde do coração. Desses, 12% relatavam sofrer com a fibrilação atrial. Após avaliar diversos fatores notoriamente ligados ao problema – como sexo, raça, idade e estilo de vida -, os pesquisadores viram algo curioso: aqueles que tiveram contato com o cigarro antes mesmo de nascer ou quando ainda eram crianças tinham um risco 40% maior de apresentar a arritmia em comparação a quem não foi exposto à droga. Mais uma vez, contudo, não é possível afirmar que uma coisa leva à outra – são necessários mais estudos. No entanto, fica o recado: para criar filhos (e adultos) saudáveis, é uma boa deixar as baforadas para trás antes de se tornar mãe. 

 

Entre os estudos mais recentes, alguns mostraram que, em geral, as crianças afetadas pelo cigarro apresentam um menor volume de massa cinzenta e branca no cérebro. A massa cinzenta é a parte do cérebro que possui o corpo das células nervosas e incluem regiões envolvidas no controle muscular, memória, emoções e fala. E na massa branca existem as fibras que conectam regiões envolvidas no processamento das emoções, decisões e na atenção. Com essas áreas prejudicadas, os filhos de mães fumantes também podem apresentar quadros de depressão e ansiedade.

 

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