Como se preparar para a gravidez no inverno

June 28, 2019

Você já imaginou passar o final da gravidez longe dos enjoos e de outros sintomas típicos desta fase? E se com isso viesse também a possibilidade de reduzir a oleosidade da pele e a pressão baixa? O inverno provoca alterações hormonais e fisiológicas que amenizam alguns sintomas típicos do final da gravidez, deixando o período mais agradável. "Baseado na minha experiência clínica posso dizer que 80% das mulheres preferem passar o final da gravidez na estação fria, pois enxergam vantagens em relação ao calor excessivo e ao desconforto comuns no verão", explica o ginecologista Abner Lobo Neto, do Programa de Pré-Natal personalizado da Unifesp. Mas, como tudo na vida, a gestação na temporada de frio tem suas vantagens e desvantagens. Saiba quais são elas e o que fazer para se manter protegida.

 

Menos enjoos                                                   

É claro que não estamos falando daqueles enjoos típicos do primeiro trimestre de gravidez, causados pela ação da progesterona nessa fase, esses acontecem independentemente de qualquer estação! O que ocorre no inverno é que a tendência de a gestante sentir aquele mal-estar provocado pelas altas temperaturas é menor. “Na segunda metade da gravidez, uma das causas de enjoo é a queda da pressão arterial. E, no calor, as mulheres costumam ter mais pressão baixa”, explica Rômulo Negrini, professor de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

 

Sono de melhor qualidade

Dormir no verão é uma das coisas mais incômodas da vida, e quando isso acontece na reta final da gravidez, é pior ainda. É claro que o peso da barriga e a falta de posição vão incomodar do mesmo jeito, mas não ter que lidar com aquele calorão já é de grande ajuda. As gestantes, em geral, sentem mais sono do que as outras mulheres que não estão esperando bebês, porém, no inverno, com a ocorrência de dias mais longos e noites mais arejadas, sem o calor excessivo típico do verão, a qualidade do sono fica melhor.

 

Adeus, inchaços!

No calor, os vasos sanguíneos se dilatam, o que faz com que o líquido que está lá dentro extravase, causando o inchaço. Já no frio, os vasos se encontram mais comprimidos, para que não haja tanta perda de calor. E o resultado é um corpo menos inchado. Com a diminuição da dilatação dos vasos sanguíneos, há uma melhora significativa na circulação das gestantes fazendo com que o inchaço, típico desta fase, desapareça ou diminua trazendo alívio. Além da questão estética, o inchaço traz outros transtornos como roupas apertadas, sapatos que não servem e sensação de desconforto ao andar. Ficar livre dele é um dos principais ganhos para quem passa a fase final da gravidez no inverno.

 

Pressão nas alturas

A constrição dos vasos que acontece no tempo frio tem seu lado positivo, ao reduzir os edemas – mas ela também tem desvantagens. A principal delas é o aumento da pressão arterial, que acontece exatamente porque o sangue fica comprimido dentro dessas estruturas. “O inverno é a época do ano com maior incidência de pré-eclâmpsia“, destaca o docente da Santa Casa. Essa doença, que eleva a pressão na gestação, pode trazer danos à mãe e ao bebê. O obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, Mário Macoto, alerta que, por se tratar de uma complicação séria, é preciso ficar atenta, sobretudo em épocas mais frias. O obstetra ressalta que a gestante deve estar atenta aos sinais para pré-eclâmpsia: inchaço de mãos e rosto, dor de cabeça, visão turva, dor de estomago, urina com muita espuma, ganho de peso abrupto. A doença ocorre em cerca de 7% das gestações, sendo mais comum em gravidez múltipla. Histórico familiar de pré-eclâmpsia (mãe e irmãs) ou antecedente em gestação anterior, hipertensão arterial crônica, obesidade, diabetes mellitus e trombofilia também são fatores de risco. Por isso é importante fazer o pré-natal desde o início da gestação para identificar as mudanças que ocorrem.

 

Maior exposição a doenças respiratórias

É na estação mais fria que problemas como gripe, pneumonia, bronquite e sinusite dão as caras. E a gestante não só tem mais riscos de sofrer com as complicações dessas enfermidades como está mais propensa a desenvolvê-las. Isso porque além de contar com um sistema imunológico defasado, a grávida apresenta mucosas mais inchadas, o que pode dificultar a drenagem de secreções e favorecer, assim, a instalação de vírus e bactérias no organismo.

 

Mais vontade de fazer xixi

Com as baixas temperaturas do inverno, o corpo transpira menos. Com isso, a perda de líquidos acontece menos pelo suor e mais pela urina. “A grávida tem mais probabilidade de ter infecção urinária, então ela precisa ir ao banheiro cada vez que tiver vontade”, alerta o ginecologista e obstetra.

 

Pele sem manchas… e seca!

Durante a temporada de frio, a exposição ao sol tende a ser menor, o que diminui o risco de manchas aparecerem na pele. Mas, ainda assim, a gestante precisa se proteger. “Devido ao aumento dos hormônios, a grávida tem uma predisposição maior para desenvolver melasma“, revela a dermatologista Flávia Ravelli, do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo. A dica da especialista é apostar no protetor solar com fator 50. Outro ponto de atenção é a hidratação, já que a tendência é que a pele fique mais ressecada. “A coceira causada pela pele seca pode causar feridas, que são uma porta de entrada para fungos, vírus e bactérias”, avisa Ravelli. E cuidado: banhos quentes e muito demorados só agravam essa secura. Portanto, prefira passar menos tempo no chuveiro e, se possível, mantenha a água morna. Quanto ao uso de hidratante, a orientação é passá-lo duas vezes ao dia no corpo todo; quando a barriga estiver maior, lambuze áreas como barriga, coxas e mamas mais vezes, para evitar estrias. Além disso, mantenha o hábito de beber, pelo menos, dois litros de água por dia. Outro desconforto que quase desaparece durante a gestação na estação fria é a ocorrência de alergias e brotoejas na pele. No verão, elas são bastante comuns em função do atrito somado a transpiração nas dobras e regiões mais escondidas do corpo, como as axilas e região interna das coxas.

 

Alguns especialistas apontam a primavera como a melhor estação para um parto, seja ele normal ou cesariano e isso implica passar boa parte da gestação no inverno. Os cuidados com um possível choque térmico devem ser redobrados, já que a grávida tem temperatura corporal mais alta que a média das pessoas. Sair bem agasalhada previne uma possível sensação de desconforto e o resfriamento brusco das vias aéreas, que poderia causar infecções e resfriados. As gestantes devem evitar ambientes muito fechados, aumentar a ingestão de líquidos e o consumo de alimentos ricos em vitamina C.

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