Saiba como será o futuro da medicina

Robôs, aplicativos para smartphone e um maior conhecimento da genética prometem revolucionar diagnósticos, tratamentos e a forma como encaramos saúde e doença

Aplicativos serão nossos melhores amigos, a genética permitirá saber as doenças que enfrentaremos ao longo da vida, robôs farão cirurgias e nossas casas serão cuidadoras.

Ainda que pareçam mais perto da ficção científica do que da realidade, nenhuma dessas previsões sobre a medicina que teremos no futuro é especulação – a base está em pesquisas já existentes. Hoje, por exemplo, se você tiver dinheiro e disposição, pode ir a uma clínica e realizar um mapeamento genético sobre os riscos de desenvolver determinadas doenças; braços robóticos realizam prostectomias (cirurgias para retirada da próstata) e empresas de tecnologia buscam, desesperadamente, criar aplicativos que entrem de vez no dia a dia da população.

Mudanças como essas devem reinventar a profissão de médico, empoderar os pacientes, horizontalizar ainda mais a relação entre os dois e mudar a forma como encaramos nosso corpo.

Nos últimos 2 mil anos, apenas médicos têm detido informação e uso de instrumentos. Agora, graças à proliferação de tecnologias e grupos de discussão nas redes sociais, essa informação se tornou mais acessível a todos. Portanto, médicos devem finalmente se focar nos pacientes. Ao mesmo tempo, os próprios pacientes devem tomar a frente e administrar sua saúde e sua doença – afirma Bertalan Meskó, médico futurista húngaro, PhD em genética e autor do livro The guide to the future of medicine (O guia para o futuro da medicina, em tradução livre).

Fim da dúvida

A possibilidade de realizar um mapeamento genético surgiu na vida da aposentada Vanda Ruskowski de Campos, 59 anos, após ela perder o quarto integrante da família — entre eles as duas irmãs mais novas —, todos vítimas de câncer de estômago. Foi por recomendação de um especialista, após um aconselhamento genético, que a aposentada, seus outros oito irmãos vivos e a mãe decidiram fazer o teste. Quando receberam os resultados, foi um misto de alívio e dor:

— Para mim deu negativo. Fiquei mais tranquila, porque desde que começou essa história de câncer na família eu me desesperava a cada dor de estômago. Se não fizesse o exame, ia passar o resto da vida com dúvida. Mas fiquei triste e preocupada também por saber que três irmãs, além das duas que já tinham morrido, eram portadoras do gene que causa o câncer.

O drama começou há cerca de duas décadas, quando um tio de Vanda teve a doença. Poucos anos depois, a irmã mais nova da aposentada, Jaqueline, descobriu que também tinha câncer aos 29 anos.

— Ela era jovem e saudável, mas começou a sentir algumas dores, foi diagnosticada e em menos de um mês faleceu. Foi um golpe muito duro — relembra Vanda.

A partir de então, todos começaram a realizar exames preventivos regulares. Foi o que salvou a mãe de Vanda. Ela descobriu a doença no início, tratou-se e sobreviveu. A prevenção, entretanto, não foi o suficiente para salvar seu outro tio, que morreu aos 60 anos, nem sua outra irmã, Isabel, diagnosticada com câncer aos 39 anos.

— A quimioterapia não conseguiu salvar minha outra irmã. Ficamos todos muito abalados. Eu só pedia a Deus para nos livrar do câncer. Foi quando surgiu a possibilidade de ver quem era portador do gene que carregava a doença — conta a aposentada.

A realização do exame e o que fazer diante dos resultados foram muito debatidos entre médicos e familiares. As três irmãs que tiveram resultado positivo optaram pela retirada do estômago. Hoje, se recuperam das cirurgias.

Vanda e os irmãos que tiveram resultado negativo também se mostram muito mais tranquilos em relação ao futuro, mas conscientes de que devem seguir realizando exames preventivos e cuidando da saúde.

Os tipos mais comuns de testes genéticos

Testes de diagnóstico
Confirmam ou excluem uma doença genética em uma pessoa que já apresenta sintomas, ou seja, que já está doente. Os resultados podem ajudar a identificar características específicas da doença para, a partir daí, ser avaliado o melhor tratamento.

 

Testes preditivos ou pré-sintomáticos
São feitos em pessoas saudáveis com histórico familiar de doenças genéticas hereditárias que buscam saber se portam as alterações genéticas relacionadas à enfermidade. Os exemplos mais conhecidos são doenças neurológicas que passam de geração em geração, em sua maioria sem cura. O exame pode identificar ainda a predisposição para determinadas doenças. Nesses casos, mudanças nos hábitos de vida, medicamentos específicos e intervenções cirúrgicas podem ajudar a reduzir os riscos de desenvolvê-las.

Testes de portador
Pode ser realizado por homens e mulheres que desejam ter um filho e querem verificar se algum é portador de uma doença genética presente na família, mesmo que não tenham a enfermidade. O exame indica se a doença está nos seus genes e quais são as chances de transmiti-los aos descendentes.

Testes de rastreio
Conjunto de exames realizados na população para detectar precocemente a presença de problemas genéticos específicos. Um exemplo é o Teste do Pezinho, realizado em recém-nascidos, que pode indicar doenças tratáveis quando o problema é identificado antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

Diagnóstico pré-natal
Feito no feto, nos casos em que existe o risco de o bebê apresentar genes associados a um atraso mental ou deterioração física.

 

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2014/06/cada-vez-mais-comuns-testes-de-dna-ajudam-a-identificar-predisposicoes-a-doencas-4532096.html

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