CÉLULAS-TRONCO DO CORDÃO UMBILICAL CURAM CRIANÇA PORTADORA DE TALASSEMIA

Primeiro bebê brasileiro selecionado geneticamente realiza a doação das células-tronco do cordão umbilical e viabiliza a cura da irmã mais velha.

 

A talassemia é uma forma de anemia crônica, de origem genética, ou seja, passada dos pais para os filhos. Ela faz parte de um grupo de doenças do sangue (hemoglobinopatias) caracterizadas por defeito genético que resulta em diminuição da produção de um dos dois tipos de cadeias que formam a molécula de hemoglobina.

 

Embora haja outros tipos de talassemia, o mais comum no Brasil e no mundo é a beta-talassemia que, dependendo de sua gravidade, se divide em três grupos principais: talassemia minor, talassemia major e talassemia intermédia.

 

Embrião sem a doença é selecionado para a coleta do sangue do cordão umbilical

Maria Clara Reginato Cunha foi o primeiro bebê brasileiro selecionado geneticamente. Os pais das crianças optaram pela fertilização in vitro e, entre dez embriões, o de Maria Clara foi geneticamente selecionado por ser 100% compatível com a irmã mais velha e não ser portadora da Talassemia.

Para a irmã mais velha, Maria Vitória de 6 anos, a chegada da irmã representou a chance de uma vida saudável. Desde o nascimento, a menina era portadora da doença crônica que desencadeia uma má formação da hemoglobina, proteína encontrada nas hemácias (células vermelhas do sangue). Nesses casos a medula óssea produz menos hemácias e por consequência não consegue fabricar sangue na frequência necessária podendo causar anemias graves.

 

"Ela voltou a produzir células como uma pessoa normal. Ela tem uma medula nova. O resultado é muito bom e podemos considerar que a Maria Vitória está curada." disse o hematologista Vanderson Rocha

 

O procedimento, pioneiro na América Latina, foi bem sucedido e permitiu que a medula óssea de Maria Vitória produzisse células sanguíneas saudáveis. Jênyce, mãe das duas meninas, disse que repetiria todo o processo quantas vezes fosse necessário. “É claro que tiveram momentos difíceis em que ela precisou de cuidados especiais. Mas a Maria Vitória se comportou muito bem, não reclamou de nada”.